Por Ilana Casoy

Na esteira do assassinato em massa ocorrido em
Denver em julho/2012, na estreia do filme ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas
Ressurge’, temos visto outros, como aquele contra o Templo Sikh em Wisconsin,
na Universidade do Texas, e na cafeteria de uma escola em Baltimore, todos em
agosto de 2012. As vítimas desses quatro atentados somam 21 mortos e 67
feridos. Apesar da raridade estatística, o estrago social que provocam é
contundente. Os ataques pós-Coringa teriam sido consequência?
Analisando a mente e a ação dos assassinos desse
tipo, sua primeira necessidade é divulgar uma mensagem, seja ela de vingança,
ideologia político-religiosa ou ódio, que racionalmente explique sua ação.
Anders Behring Breivik, Atirador da Noruega, deixou um manifesto de 1.500
páginas, onde esclarece todas as suas convicções. Wellington Menezes de
Oliveira, Matador do Realengo, deixou um vídeo divulgado como “exclusivo” em
rede nacional brasileira, no qual se explicava em detalhes, espelhando-se
provavelmente no vídeo deixado pelo também assassino em massa Cho Seng-hui, que
matou 32 vítimas e feriu 21 em Virginia Tech. Esse último produziu o chamado
‘Manifesto Multimídia’, contendo material divulgado pela rede de TV americana
NBC.
Outro objetivo desses assassinos é a de
tornar-se uma lenda, uma celebridade reconhecida pela eternidade afora, com
legiões de seguidores e admiradores. E conseguiram. James Holmes, o ‘Coringa’,
foi televisionado todos os dias após sua prisão, até que a justiça americana
interrompesse a roda-viva midiática. Tem até fã-clube de meninas que tatuam na
pele o seu nome. Os vídeos de Wellington e Seng-hui ainda estão disponíveis na
internet, bem como o manifesto de Breivik. Vivemos tempos em que a mídia
transforma esses assassinos em verdadeiras celebridades, alimentando um culto
macabro a eles. São reconhecidos no mundo inteiro.
As mentes perturbadas que já tem essa fantasia
estão à espreita, prontas para seguir esse exemplo de anti-herói que tem dado
certo, ainda que doentiamente.
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